Meninas são destaque do XIX Seminário de Vocação Científica do CBPF

Postado em: 07/12/2016

Em uma edição com trabalhos científicos classificados como excelentes pelos organizadores, as meninas foram o destaque do XIX Seminário de Vocação Científica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ). Três delas foram premiadas, e outras duas receberam menção honrosa.

Este ano, a apresentação pública dos trabalhos do Programa de Vocação Científica do CBPF (PROVOC-CBPF) – que tem como objetivo aprofundar a formação científica de estudantes de ensino médio – ocorreu entre 30 de novembro e 1 de dezembro. O Comitê de Vocação Científica do CBPF ressaltou que chegar a um veredito final sobre os premiados não foi tarefa fácil, pela excelente qualidade dos resultados e o alto nível dos estudantes.

Segundo os membros do comitê, a lista dos três melhores trabalhos – apresentados a seguir em ordem alfabética de prenome – é a seguinte:

i) Maria Carolina Freitas de Mendonça Costa, do Colégio Pedro II, na Tijuca, com o trabalho ‘Interações eletrofracas e atividade óptica’, orientado pelo pesquisador titular do CBPF José Abdalla Helayël Neto;

ii) Maria Clara Rodrigues da Silva, do Colégio Pedro II, em São Cristóvão, com o trabalho ‘Processos avançados de oxidação’, orientado pelo tecnologista sênior do CBPF Marcos de Castro Carvalho;

iii) Mariana Porto Barreto, do Colégio São Vicente de Paulo, com o trabalho ‘O modelo atômico de Bohr para um fóton massivo’, orientado por Gustavo Pazzini, doutorando do CBPF.

Outras duas alunas receberam menção honrosa:

i) Lara Tondelo Coelho, do Colégio QI, com o trabalho ‘Robô autônomo para mapeamento de labirintos’, orientado por Carvalho e Pedro Henrique Barbosa Nori, do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro;

ii) Mariana Bomfim Guedes, do Colégio Pedro II, em São Cristóvão, com o trabalho ‘Encontrando respostas: a revolução científica através da física de partículas’, orientado por Arthur Marques Moraes, pesquisador adjunto do CBPF.

Cada uma das três premiadas ganhou uma assinatura eletrônica da revista Ciência Hoje (www.cienciahoje.org.br), publicada pelo Instituto Ciência Hoje.

Marcos de Castro Carvalho é o responsável pelo Comitê de Vocação Científica do CBPF. Fazem parte dele também o pesquisador associado Sebastião Alves Dias e o pesquisador titular Sérgio José Barbosa Duarte. A gestão do programa está a cargo de Mônica Ramalho, assistente em C&T. Também participa habitualmente da comissão julgadora dos trabalhos no Seminário de Vocação Científica o físico Gerson Bazo Costamilan, professor associadodo Instituto Militar de Engenharia, do Rio de Janeiro (RJ).

No CBPF, o PROVOC-CBPF está ligado à Coordenação de Formação Científica.

 

 

Visão geral da plateia durante a apresentação dos trabalhos do XIX Seminário de Vocação Ciêntífica 
(Crédito: Mônica Ramalho/CBPF)

Bolsa e seguro

A cada ano, 40 alunos são selecionados. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) provê 25 bolsas, sendo que as outras vêm de recursos do CBPF. Cada aluno recebe R$ 100 mensais, é protegido por um seguro de vida e tem que cumprir, ao longo do ano, uma carga horária mínima de quatro horas por semana.

Em geral, os participantes do PROVOC-CBPF são alunos do primeiro e segundo anos do ensino médio. “Eles podem ficar um ano a mais, caso tenham interesse”, diz Dias. Os do terceiro ano são mais raros, por estarem em época de se prepararem para o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), explica o físico do CBPF.

 

Alunas apresentando seus trabalhos durante o XIX Seminário de Vocação Científica 
(Crédito: Mônica Ramalho/CBPF)

 

 Ao ser selecionado, cada aluno é questionado sobre seus interesses e, com base nessa avaliação, é encaminhado para um orientador (pesquisador, tecnologista, técnico, doutorando, mestrando), tanto da área teórica quanto experimental. A seleção para o ano que vem acabou de ocorrer.

“A maioria dos orientadores é do CBPF, mas há os que têm vínculos com outras instituições e são convidados para fazer parte do programa, desempenhando também um papel importante na orientação dos estudantes”, disse Duarte. Este ano, foi o caso de Eduardo Sergio Santini, tecnologista da Comissão Nacional de Energia Nuclear, também no Rio de Janeiro (RJ).

Por vezes, dois ou mais alunos podem fazer parte do mesmo estudo. Os temas também podem ser interdisciplinares. Já houve, por exemplo, experimentos que testaram se eram (ou não) verídicas certas afirmações sobre as plantas de um livro muito popular sobre o assunto, A vida secreta das plantas, de Peter Thompkins e Christopher Bird, no qual se atribuem certas capacidades cognitivas a esses seres.

“Todas as afirmações do livro se mostraram, com base nos resultados dos experimentos, equivocadas”.

 



 Alunos do PROVOC-CBPF fazendo apresentação em um seminário cujos trabalhos foram
classificados como de alto nível pela Comissão Julgadora do programa
(Crédito: Mônica Ramalho/CBPF)

Esperança da volta

Os candidatos – que podem ser tanto de escolas públicas quanto privadas – passam por uma análise de currículo e precisam, em geral, ter média sete ou superior em física e matemática. “Eles são encaminhados para nós pelos professores dessas disciplinas, com uma carta de recomendação”, diz Dias.

O tema é, então, discutido entre estudante e orientador. Alguns alunos já chegam determinados a trabalhar com certos tópicos, enquanto outros estão abertos a sugestões. “Mas, se o aluno ou aluna não estiverem felizes em certa área, eles têm total liberdade para buscar outras opções ou mesmo outros orientadores”, explica Duarte.

O PROVOC – programa originalmente criado pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro (RJ) – chegou ao CBPF em 1997, por iniciativa do então diretor da instituição, Amós Troper (hoje pesquisador emérito), e de seu Coordenador de Formação Científica à época, Francisco Caruso Neto, pesquisador titular do CBPF. A coordenação do PROVOC ficou, à época, a cargo da pesquisadora titular (aposentada) Susana Isabel Zanette de Caride.

 

Organizadores e membros da comissão julgadora do PROVOC-CBPF deste ano. 
Atrás (da esq. para a dir.), Costamilan, Duarte, Carvalho e Dias. À frente, Mônica Ramalho, secretária do PROVOC-CBPF
(Crédito: Nami Fux Svaiter/CBPF)

 

Carvalho enfatiza que, além da Fiocruz, do Instituto Ciência Hoje e do CNPq, os agradecimentos pelo sucesso do programa devem ir também para o Colégio Pedro II, e para os Colégios de Aplicação tanto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro quanto da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Uma das esperanças é a de que esses alunos voltem ao CBPF, como graduados, mestrandos e doutorandos”, escreveu Carvalho nos ‘Agradecimentos’ do livreto do programa deste ano.


****************************************************
Núcleo de Comunicação Social - NCS/CBPF
E-mail: ncs_cbpf@cbpf.br