NIT-Rio oferece curso de empreendedorismo para jovens cientistas

Postado em: 03/07/2017

O Núcleo de Inovação Tecnológica do Rio de Janeiro (NIT-Rio) acaba de oferecer o primeiro curso na área de inovação para jovens cientistas. O objetivo é ajudar a levar os resultados da pesquisa científica da bancada dos laboratórios para a indústria e o mercado. O curso superou as expectativas: dois alunos foram selecionados para participar do primeiro Hacking Health realizado no Rio de Janeiro, um projeto canadense que promove maratonas de desenvolvimento de inovações tecnológicas para a área da saúde. E os dois já planejam levar produtos ao mercado em 2018.

O curso ‘Empreendedorismo e Inovação’ aconteceu no primeiro semestre nas salas do NIT-Rio, sediado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ).

“Tivemos como foco jovens com viés empreendedor. Buscamos promover a inovação e dar a eles uma perspectiva privilegiada sobre como se faz para começar uma empresa de alta tecnologia no país”, conta Marcelo Albuquerque, coordenador do NIT-Rio.

Realizada de forma piloto, a primeira edição do curso teve turma de sete alunos e encontros semanais. Os tópicos abordados incluíam como elaborar modelos de negócios e como fazer apresentações para investidores.

“Na etapa teórica, discutimos como empreender estando na academia e falamos sobre a transformação da pesquisa em produto. A parte prática focou no modelo de negócios e contou com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae”, completa Albuquerque.

 

Novas fronteiras

Parcerias e muita troca de conhecimento são importantes para alavancar a mudança de paradigma que precisa acontecer quando um pesquisador resolve expandir seus horizontes para o mercado. Thiago Palhares, engenheiro químico e mestre em ciência e tecnologia de polímeros pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que os contatos e as conversas ao longo do curso foram valiosos.

“Tivemos várias oportunidades de integração. Aprendemos como fazer um pitch, a falar de forma menos técnica e mais comercial”, diz, explicando que pitch é uma apresentação do negócio em tempo curtíssimo. São três minutos para convencer a plateia de que seu projeto merece ser conhecido em detalhes – o primeiro passo para se chegar a obter um investimento financeiro.

 

Banca do pitch no NIT-Rio: Albuquerque, do NIT-Rio; Flávio Toledo, do LNCC; Vinicius Schmidt, do ON

(Crédito: NIT-Rio)

 

Thiago foi um dos alunos selecionados para participar do Hacking Health. O outro foi o técnico em eletrônica Jonatas Nimer. Os dois se conheceram no curso do NIT-Rio, formaram uma equipe durante o evento canadense e agora planejam continuar a parceria.

 

Thiago e Jonatas, participantes do curso do NIT-Rio selecionados para maratona

e programação oferecida por instituição canadense

(Crédito: NIT-Rio)

 

“Para o desafio do Hacking Health, trabalhamos com uma ideia que eu já tinha, de um dispositivo que ajuda no controle de ingestão de medicação através de um aplicativo para celular”, conta Thiago. O projeto foi um dos premiados do evento.

“Pretendemos aprimorar esse produto na incubadora do LNCC e colocar no mercado no final de 2018”, completa Jonatas, referindo-se à incubadora de empresas do Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro.

Thiago e Jonatas não dão detalhes desse projeto, nem dos outros desenvolvidos durante o curso do NIT-Rio – uma tomada que previne choques e um material para bioimplantes. A razão é simples: as ideias agora são tratadas como segredo de negócio.

 

 

Thiago desenvolveu projeto de bioimplantes durante o curso do NIT-Rio

(Crédito: NIT-Rio)

 

 

Jonatas apresentou, no pitch do NIT-Rio, uma tomada que evita choques

(Crédito: NIT-Rio)

 

Mudança de cultura

A ponte entre universidade, instituições de pesquisa e o mercado ainda está sendo construída no Brasil, e o curso oferecido pelo NIT-Rio foi pensado para acelerar o processo.

“É uma relação ainda muito incipiente no Rio de Janeiro e no Brasil de modo geral. A lei de inovação tem pouco mais que dez anos. Ela diz que cabe também aos institutos estimular a inovação, mas para termos um ecossistema de inovação precisamos também de uma mudança de cultura. É preciso inovar também no comportamento, colaborar mais”, diz Albuquerque.

A equipe trabalha agora para aperfeiçoar o curso e levá-lo a outras unidades de pesquisa do MCTIC que integram o NIT-Rio. O LNCC e o Observatório Nacional (ON) devem abrigar edições do curso ainda no segundo semestre deste ano.

 

Mais informações:

NIT-Rio: http://www.nitrio.org.br


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