Reunião com servidoras e funcionárias do CBPF propõe criação de Ouvidoria da Mulher

Postado em: 10/03/2017

Reunião realizada esta semana no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ) – a pedido das servidoras, funcionárias e pós-graduandas da instituição – propôs a criação de uma Ouvidoria da Mulher.

Ficou acertado que discussões posteriores – restritas às mulheres – irão indicar os procedimentos para a escolha da ouvidora, dos canais de comunicação, bem como de procedimentos administrativos relativos à criação do cargo. Uma das funções da ouvidora será levar as denúncias e queixas até o Comitê de Ética do CBPF, que tratará de julgar os casos e tomar as providências cabíveis, em diálogo constante com a direção da instituição.

Para a pesquisadora aposentada do CBPF Lígia Rodrigues – militante histórica da causa feminista –, a resposta das mulheres, na reunião, foi muito boa. “As queixas de assédio sexual e moral são generalizadas. Há também queixas de que o CBPF, até hoje, nunca tomou nenhuma providência em relaçao a esses fatos”, disse a física teórica.

Na reunião, houve grande número de depoimentos, questionamentos, sugestões e críticas de servidoras e funcionárias. 

“Temos que criar mecanismos que sejam permanentes e não dependam dessa ou daquela diretoria”, disse Ronald Shellard, diretor do CBPF, presente à reunião. “A ideia básica é que esse mecanismo – que deve servir como uma instância de apoio e suporte – coíba assédios e constrangimentos, bem como permita identificar até mesmo os casos mais sutis, os quais são igualmente preocupantes”, acrescentou o físico experimental.

Foi sugerido que o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1171.htm), criado ainda em 1994, seja divulgado para todos no CBPF. “Bem como sejam feitas palestras esclarecendo o que configura assédio sexual e moral”, completou Lígia.

A ideia é que a Ouvidoria da Mulher do CBPF receba não só queixas, mas também sugestões, críticas e, se for o caso, elogios. “Queremos melhorar a qualidade do ambiente de trabalho, tornando-o mais justo e equânime”, disse Shellard.

O endereço eletrônico do Comitê de Ética do CBPF é comissão.etica@cbpf.br O da Ouvidoria da Mulher do CBPF será criado em breve.

 

Pandemia Global

“Neste 8 de março, podemos comemorar algumas conquistas das mulheres por melhores condições de trabalho, direitos sociais e políticos, mas é indiscutível que a violência contra as mulheres permanece como grave problema atual, pois continua sendo uma pandemia global”, disse Vania Okamoto, analista em C&T sênior do CBPF, presente à reunião. “A falta de acesso a informações sobre seus próprios direitos, somada a uma sociedade onde predominam valores classistas, racistas, machistas e patriarcais, cria severos obstáculos nas lutas feministas por mais reconhecimento, dignidade, justiça e igualdade de gênero”, disse a servidora.

“A palestra realizada no CBPF [esta semana] me fez pensar com otimismo na reação das mulheres, que vêm desenvolvendo ações individuais e coletivas há bastante tempo para reverter essa condição injustamente desigual, oportunizando manifestações e trocas de experiências sobre a situação que temos vivido em meio a inúmeras violências e opressões cotidianas, para combater o machismo, o assédio e a violência sexual. A escuta, a orientação e o acolhimento à mulher por meio de um diálogo, com a construção de um projeto compartilhado de enfrentamento da violência, é uma prática que deve ser alicerçada em atenção integral, com ética e qualidade, com foco na resolutividade dos casos, pressionando e indicando formas de sanar os problemas descritos”, prosseguiu a analista em C&T sênior.

Vania completou seu depoimento – especialmente preparado para o Núcleo de Comunicação Social do CBPF (NCS-CBPF) – do seguinte modo: “Desta forma, aplaudo a manifestação de preocupação e as iniciativas por parte da alta direção do CBPF na criação de mecanismos que atuem contra qualquer tipo de discriminação e/ou injustiças”.

 

Mulheres na ciência

Também ocorreu, esta semana, no CBPF, no Auditório do 5º andar, encontro para discutir a questão da mulher na ciência – com foco no ambiente do CBPF. O evento foi organizado por duas pós-graduandas do CBPF, Vanessa Pacheco e Maria Elidaiana Pereira.

A palestrante convidada Josephine Rua – física teórica do Instituto de Astrofísica de Paris e doutora pelo CBPF – fez a abertura do evento, contando um pouco de sua experiência com a criação de um projeto de ‘mentorias’ – o termo se refere a uma pessoa responsável por guiar alguém em diferentes estágios da carreira. Josephine falou também sobre como essa iniciativa poderia ser implementada.

Em seguida, abriu-se a pauta para discutir diversos assuntos. Entre eles, licença-paternidade e como mulheres são oprimidas no sentido de arcar com toda a responsabilidade reprodutiva. Em um depoimento conjunto ao NCS-CBPF, Vanessa, Maria Elidaiana e Josephine escreveram que o encontro “[retomou a questão] do assédio moral, sexual e ambiental no âmbito do CBPF e como a instituição ainda está muito despreparada para lidar com situações de má conduta”.

As três enfatizaram que há “urgência em se criar o Comitê de Ética” no CBPF.

 

8M: planetário

Vale ressaltar que as reuniões no CBPF ocorreram em um momento de mobilização planetária das mulheres, como parte do chamado 8M (referência a 8 de março), evento global relativo ao Dia Internacional das Mulheres e à Greve Internacional da Mulheres, cujo lema é “A solidariedade é nossa arma”. Manifestações, paralisações e passeatas ocorreram em, pelo menos, 55 países, segundo um sítio de notícias – no Brasil, em várias cidades.

Algumas das bandeiras do movimento, organizado por mulheres de 40 países: repúdio a qualquer tipo de violência (agressão, estupro, assassinato etc.) contra as mulheres; fim do machismo; pela igualdade de oportunidades; descriminalização do aborto; empoderamento das mulheres (ocupação de cargos de poder e decisão) etc.

Na página do movimento no Brasil (www.8mbrasil.com), lê-se que “As mulheres do mundo se unem e se insurgem contra todas as formas de violência impostas a nós, em todos os momentos de nossas vidas, em qualquer lugar do planeta, sob quaisquer governos”.

 

Manifestantes em passeata no Rio de Janeiro no Dia Internacional da Mulher

(Crédito: Vanieverton)

 

Assédio e constrangimento

Também esta semana, a direção do CBPF publicou comunicado considerando inaceitável qualquer tipo de humilhação – constrangimento, assédio moral, psicológico e sexual, discriminação social ou religiosa, preconceito racial. A iniciativa foi motivada por uma notícia que chegou à direção do CBPF sobre constrangimento sofrido por uma pós-graduanda da instituição em uma página de mídia social.

Reagindo a isso, a direção estabeleceu a criação de uma Comissão Interna para a avaliação dos fatos e, se cabível, a punição dos responsáveis.

A seguir, a íntegra do comunicado lançado pela diretoria do CBPF:

 

CBPF manifesta-se contra

assédios e constrangimentos

 

Caros Colegas do CBPF:

Chegou recentemente a nosso conhecimento notícia de que uma pós-graduanda do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) sofreu constrangimento em página de mídia social.

A Direção do CBPF – que repudia esse tipo de comportamento – formou uma Comissão Interna para avaliar as informações disponíveis e tomar as providências cabíveis.

Não é aceitável qualquer tipo de humilhação – constrangimento; assédio moral, psicológico e sexual; discriminação social ou religiosa; preconceito racial etc.

Tais ocorrências devem ser denunciadas por meio do endereço eletrônico comissão.etica@cbpf.br ou contatando seu/sua coordenador/coordenadora ou a própria Direção do CBPF.

Pessoas que sejam vítimas de tais humilhações devem proceder do seguinte modo: i) anotar, com detalhes, as humilhações sofridas; ii) pedir a ajuda de colegas que presenciaram os fatos; iii) evitar conversar com o(a) agressor(a) sem a presença de uma testemunha.

A denúncia também pode ser feita por quem presenciou os fatos.

A instituição apoiará todos as vítimas de tais humilhações e, uma vez identificado(a)s o(a)s agressore(a)s e comprovada a culpa, serão tomadas medidas severas.

Discriminação, preconceito, constrangimento, bem como assédio moral, psicológico e sexual, são inaceitáveis.

 

Diretoria do CBPF


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