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CBPF, 70, se fortalece como infraestrutura de pesquisa avançada

  • Publicado: Terça, 15 de Janeiro de 2019, 00h01
  • Última atualização em Terça, 15 de Janeiro de 2019, 17h29
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O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro (RJ), vai comemorar, ao longo deste ano, o 70o aniversário de sua fundação, ocorrida em 15 de janeiro de 1949, como resultado de uma aliança à época entre vários setores da sociedade. E aproveitará a oportunidade para reforçar e ampliar seu papel como instituição de infraestrutura avançada para a pesquisa científica e tecnológica em física e áreas afins no Brasil.

 

Hoje (15/01), o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no bairro da Urca, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, completa 70 anos de sua fundação. E, ao longo deste ano, por meio de várias atividades científicas e culturais, vai pôr em prática o mote que adotou recentemente: “celebrando o passado, realizando o presente e construindo o futuro”.

“Celebramos os 70 anos de contribuições ao avanço da pesquisa básica no Brasil, pautados sempre pelos critérios de excelência estabelecidos pela comunidade de física mundial. Nossa história é rica em interações com os melhores cientistas brasileiros e estrangeiros. Apesar de nosso objetivo estar sempre focado nos desafios básicos da física, nosso trabalho acaba tendo impacto importante em inúmeras áreas da sociedade, das implicações para os esforços de inovação no setor empresarial à educação de jovens”, afirma o diretor do CBPF, o físico experimental Ronald Cintra Shellard.

Por meio de uma série de eventos ao longo deste ano, a instituição aproveitará a efeméride para não só relembrar seu passado e seus fundadores, mas também ampliar seu papel como instituição voltada para a infraestrutura da pesquisa científica e tecnológica de ponta no país, bem como planejar o futuro de seus laboratórios multiusuários ‒ como o nome sugere, aberto a pesquisadores de outras instituições e áreas.

“Um dos pilares da atuação do CBPF é justamente o uso de seus laboratórios multiusuários e de sua infraestrutura de pesquisa e serviços especializados pela comunidade científica. Pretendemos, para os próximos anos, aumentar o número de laboratórios abertos a pesquisadores do Brasil e da América Latina”, disse o tecnologista sênior Márcio Portes de Albuquerque, vice-diretor do CBPF.

Ainda como desdobramento de seu mote, o CBPF reforçará e tentará expandir suas atividades em temas de fronteira, nas áreas de física de altas energias e astropartículas; matéria condensada, materiais e nanociências, cosmologia; biofísica; física teórica e aplicada. Essas atividades implicam desenvolvimento de fronteira em instrumentação científica e tecnológica, computação, além de uma dedicação/capacitação para a documentação, organização da informação e divulgação científica.

Hoje, o CBPF é uma instituição de renome internacional em seus campos de pesquisa teórica e experimental. Sua pós-graduação, desde 2007, mantém a nota 7 (excelência internacional), dada por avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Isso atesta a excelência do programa, de seus docentes e discentes. Nestes 70 anos, o CBPF já formou cerca de 900 mestres e doutores.

De 2013 a 2016, o CBPF contabilizou mais de 1,4 mil publicações, com índice de participação discente de 0,45 – acima da média nacional (0,40).

Seu parque de equipamentos científicos ‒ avaliado em mais de R$ 200 milhões ‒ está voltado para a pesquisa de ponta em física e áreas correlatas e tem uma produção técnica e cientifica de valor inestimável e intangível ‒ como deve ocorrer em instituições de pesquisa em ciência básica.

 

As três fileiras representam a extensão total do Grafite da Ciência, em muro externo do CBPF

Crédito: Luiz Baltar

 

O CBPF hoje

Quanto ao presente, pode-se dizer que o CBPF ‒ hoje, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) ‒ passa por um bom momento. Houve avanços significativos nas atividades de pesquisas cientificas e tecnológicas, mantendo produção significativa de publicações e bom número de citações/impacto dos trabalhos produzidos por seus pesquisadores; assinatura de novos convênios com empresas estatais e privadas (Petrobras, Vale, FMC, Vallourec etc.); esforço para alcançar o grande público por meio de projetos de divulgação científica (Mural-Grafite da Ciência); avanço em colaborações internacionais (por exemplo, o CTA, Rede de Telescópios Cherenkov); bom desempenho de seus pós-graduandos em competições de desenvolvimento tecnológico (hackatons); empreendedorismo para jovens cientistas e comunicação com o setor empresarial (NIT-Rio); inauguração do espaço ‘Ciência e Sociedade’ de convivência e biblioteca revitalizada (Núcleo de Informação C&T e Biblioteca).

O ano passado foi marcado por, pelo menos, três efemérides relacionadas à instituição: i) comemoração do centenário de nascimento do físico teórico José Leite Lopes (1918-2006), um de seus fundadores; ii) o 30º aniversário da q-estatística (ou estatística de Tsallis), cujo artigo científico de um pesquisador do CBPF conta com mais de 4,5 mil citações; iii) 10º aniversário de criação da Rede Nacional de Física de Altas Energias (Renafae), que coordena a participação de pesquisadores brasileiros em grandes instrumentos de pesquisa internacionais, como o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), na Suíça, e o Laboratório Fermi (Fermilab), nos EUA.

 

Pós-graduanda do CBPF em equipamento XPS, que usa raios X para analisar materiais

Crédito: CBPF

 

Ciência: projeto de nação

O CBPF foi fundado em 15 de janeiro de 1949, como um desdobramento de ampla campanha pública que reuniu cientistas, militares, empresários, banqueiros, artistas, jornalistas, entre outros formadores de opinião à época. Esse movimento foi impulsionado pelos feitos científicos do então jovem físico experimental brasileiro César Lattes (1924-2005) ‒ um dos fundadores do CBPF ‒, que, nos dois anos anteriores, tinha participado, no Reino Unido e nos EUA, de uma das descobertas mais importantes da ciência do século passado: a detecção da partícula méson pi, responsável por manter o núcleo atômico coeso.

Naquele cenário do pós-guerra, houve a percepção, por parte de vários governos no mundo ‒ inclusive no Brasil ‒, de que conhecimento passava a ser sinônimo de poder, tanto político quanto econômico ‒ mudança geopolítica global que historiadores da física denominam ‘metafísica da Guerra Fria’.

A reboque da fundação do CBPF ‒ ocorrida em um momento em que ciência era parte de um projeto de nação para o Brasil ‒, veio a infraestrutura político-administrativa da ciência no no país, na qual pesquisadores do CBPF tiveram papel fundamental na criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), bem como de fundações estaduais de amparo à pesquisa.

O CBPF foi, em meados da década de 1960, responsável pelos primeiros títulos formais de mestre e doutor em física no Brasil, trabalhos orientados por pesquisadores então da instituição.

Ao longo destas sete décadas, a sinergia entre ciência e sociedade promovida pelo CBPF permitiu o nascimento de projetos que levaram à criação do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro (RJ); do Laboratório Nacional de Computação Científica, hoje em Petrópolis (RJ); e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP) ‒ esta última coordena a implantação do Laboratório Sirius, o empreendimento cientifico mais ousado do país na atualidade.

 

 

Palestra em uma ‘Escola do CBPF’, que, a cada dois anos, reúne centenas de estudantes do Brasil e do exterior

Crédito: J. Ricardo/CBPF

 

Mais informações:

Os 70 anos do méson-π com César Lattes: http://cbpfindex.cbpf.br/publication_pdfs/cienciaESociedade_2018-11-13-13-18-46Y2llbmNpYUVTb2NpZWRhZGU=.pdf

 

 

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