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CBPF já tem seu protótipo de ventilador

  • Publicado: Quinta, 23 de Abril de 2020, 10h10
  • Última atualização em Quinta, 23 de Abril de 2020, 10h17
  • Acessos: 1838

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, continua infectando milhões de pessoas pelo mundo. Para se juntar aos esforços de combate à doença, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), já tem finalizado e em fase de testes um ventilador de baixo custo e tecnologia aberta desenvolvido por pesquisadores portugueses.

Com recursos do CBPF, o protótipo – produzido no Laboratório Multiusuário de Instrumentação e Tecnologia Mecânica (LITMec) –  está, neste momento, submetido a testes intensos de durabilidade, mantido em um regime de 120 ‘respirações’ por minuto, para avaliação de sua parte mecânica (hardware). 

 A iniciativa de construção do equipamento é do engenheiro do Laboratório de Instrumentação Experimental de Partículas (LIP), de Portugal, e atual mestrando no CBPF Luís Miguel Domingues Mendes, do engenheiro e tecnologista pleno Rodrigo Felix de Araújo Cardoso, coordenador do LITMec, e do servidor Thiago Cardoso Gomes de Melo. Conta ainda com colaboração e apoio consultivo de Assuero Silva, diretor do Hospital Municipal Rocha Maia, no Rio de Janeiro (RJ), e do fisioterapeuta Marcelo Castro, dessa instituição de saúde.

 

Figura 1. Melo (esq.), Mendes (centro) e Cardoso; abaixo, primeiro

arranjo experimental de prova de conceito montado pelo LIP

(Crédito: LITMec/CBPF e LIP/arXiv:2004.00310v1)

 

 Barato, simples e aberto

Os testes de eletrônica de calibração e monitoramento foram feitos no CBPF – mais especificamente, no Laboratório de Detectores Gasosos, dedicado ao desenvolvimento de instrumentação científica para os experimentos Marta/SWGO, voltados para a detecção de raios cósmicos e raios gama. Em fase posterior, o Hospital Municipal Rocha Maia disponibilizará um pulmão artificial para outros testes de calibração.

Quando o ventilador – que usa componentes brasileiros – passar pelos testes iniciais, serão feitos os chamados testes bacterianos, para que possa ser usado com segurança no ambiente hospitalar.

“O objetivo é montar um ventilador barato e simples, que tenha seu projeto aberto, de modo que seja possível ser replicado por qualquer instituição, em qualquer estado ou país”, disse Mendes. Segundo ele, o projeto não tem fins lucrativos e poderá ser usado em situações de emergência, quando não houver ventiladores hospitalares disponíveis.

 

Protótipo com pulmão artificial improvisado, no Laboratório de Detectores Gasosos, do CBPF

(Crédito: LITMec/CBPF)

 

 

De Portugal, para a humanidade

O protótipo do CBPF foi baseado no ProjectOpenAir, desenvolvido por especialistas e voluntários portugueses do LIP, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde.

O físico Paulo Fonte, um dos mentores do projeto português, já havia terminado com sucesso a primeira fase do desenvolvimento de um ventilador de código aberto – cujos componentes não estão sujeitos a direitos autorais – para cuidados intensivos, com valor de produção bem inferior a equipamentos de mercado.  A patente do projeto foi registada em nome da “humanidade”, para que ninguém possa tirar proveitos econômicos da inovação.

Os detalhes do desenvolvimento do equipamento estão no artigo ‘Proof-of-concept of a minimalist pressure-controlled emergency ventilator for COVID-19’, disponível em um banco de dados aberto (arxiv.org), para qualquer pessoa interessada.

O estudo trata da prova de conceito de um ventilador simples que implementa o modo de ventilação mandatória contínua controlada por pressão (PC-CMV), com taxas de respiração configuráveis ​​e razões de tempo de expiração/inspiração, sendo o equipamento destinado, como último recurso, para ventilar pacientes com covid-19.

O projeto tenta minimizar o uso de componentes técnicos, e os utilizados são comuns na indústria. Portanto, sua construção pode ser possível em tempos de interrupção logística ou em áreas com acesso reduzido a materiais técnicos, sempre a um custo bem moderado. A maior parte do ventilador pode ser fabricada por meios técnicos, sem que se precise de equipamentos ou infraestrutura sofisticada.

 

Carla Lustoza

Núcleo de Comunicação Social

CBPF

 

Mais informações:

LITMec: http://mesonpi.cat.cbpf.br/litmecmult

ProjectOpenAir: https://www.projectopenair.org/open-source-ventilator.php

Artigo: https://arxiv.org/abs/2004.00310v1

2º Artigo: https://arxiv.org/abs/2004.00310v2

 

 

 

 

 

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