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Físicas são celebradas ao dar nome a coletivos universitários femininos

  • Publicado: Sexta, 20 de Dezembro de 2019, 18h30
  • Última atualização em Segunda, 06 de Janeiro de 2020, 14h33
  • Acessos: 1241

O cenário acadêmico nacional ‒ universidades, principalmente ‒ está presenciando o crescimento dos coletivos femininos. E alguns deles escolheram homenagear físicas brasileiras ou estrangeiras.

Em levantamento feito nas mídias, o Núcleo de Comunicação Social do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), localizou os coletivos Elisa Frota-Pessôa (1921-2018), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Sonja Ashauer (1923-1948), na Universidade de São Paulo (USP); Claudia Elisabeth Munte, no Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP); e Katherine Johnson, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

 

Encontro das integrantes do Coletivo de Mulheres Elisa Frota-Pessôa, da UFRJ

(Fonte: arquivo pessoal)

 

Integração e visibilidade

Em entrevista ao NCS-CBPF, Carolina Gigliotti, integrante do Coletivo de Mulheres Elisa Frota-Pessôa (Comef), disse que, “para seguir a carreira na física, é preciso mais do que paixão; é preciso saber superar desmotivação, mágoas e constante luta por respeito”.

Segundo a integrante, foi nesse ambiente que surgiu a ideia do Comef, na II Semana da Física da UFRJ, em 2016, com o objetivo de “trabalhar a integração e a visibilidade entre as mulheres que frequentam o instituto, por meio de monitorias, acolhimento das calouras e divulgação de perfis das alunas e professoras que compõem o cenário da física brasileira”. Três anos depois, aquela ideia viraria o coletivo. 

 

A física Elisa Frota-Pessôa

(Crédito: Arquivo familiar)

 

Tempos de mudança

“A área da física é uma das mais belas entre as ciências, e sua história foi criada por mulheres também [...] Precisamos celebrar e divulgar as trajetórias de mulheres, para que possamos nos sentir mais fortes no campo da física. Ocupar esse espaço, bem como mostrar que somos poucas, mas pretendemos mudar isso, é algo muito importante. O mundo precisa da ciência, e a ciência precisa de mulheres”, responderam coletivamente ao NCS-CBPF as integrantes do coletivo Katherine Johnson.

Para Carolina, do Comef, “As mulheres que abriram caminho nos lugares tradicionalmente masculinos são fundamentais para que possamos ter um pouco mais de espaço. Elisa Frota-Pessôa foi revolucionária ao nunca deixar de lutar por sua carreira como física, até mesmo em momentos de perseguição política. Nosso trabalho, como profissionais em formação, é mantê-la viva como referência”.

Segundo dados da Coordenação de Formação Científica do CBPF (Coedu), do total de defesas realizadas na instituição (mestrado, mestrado profissional e doutorado), de janeiro a novembro deste ano, cerca de 23% delas foram feitas por mulheres.

 

A física e matemática Katherine Johnson

(Crédito: Wikimedia commons)

 

As homenageadas

Elisa Frota-Pessôa foi uma das primeiras físicas formadas no Brasil, juntamente com Sonja Ashauer. Elisa, que se dedicou à física nuclear e física de partículas, foi pesquisadora emérita do CBPF e autora do primeiro artigo científico da instituição. Sonja foi, em meados da década de 1940, fazer seu doutorado, no Reino Unido, com Paul Dirac (1902-1984), Nobel de Física de 1933. Ela é detentora do primeiro doutorado formal em física de uma mulher no Brasil. Morreu muito jovem por causas ainda desconhecidas.

Doutora pela Universidade de São Paulo e pós-doutora pelo Instituto Max Planck (Alemanha), Claudia é professora do IFSC-USP e especialista em espectroscopia por ressonância nuclear magnética de alta resolução.

Katherine (hoje, com 101 anos) fez contribuições fundamentais para a área de ciências espaciais ‒ principalmente, no que diz respeito à computação na NASA (agência espacial dos EUA). “Escolhemos homenagear a Katherine Johnson, pois sua história de vida é quebrar barreiras. Ela é mulher, negra e foi uma das únicas meninas em sua sala de aula na graduação. É uma das maiores cientistas espaciais, [mas], infelizmente, ainda não tem tanta visibilidade. Queremos mostrar para as pessoas que a ciência também teve participação feminina, como Katherine Johnson continua fazendo [até hoje]”, respondeu o coletivo.

 

A física teórica Sonja Ashauer

(Crédito: Wikimedia commons)

 

Referências e destaques

A física teórica Ligia Maria Coelho de Souza Rodrigues, pesquisadora associada (aposentada) do CBPF, e Hildete Pereira de Melo, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense, lançaram, em parceria, ainda em 2006, Pioneiras da ciência no Brasil.

O livro ‒ disponível gratuitamente na página do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ‒ reúne cerca de 20 verbetes biográficos de mulheres de várias áreas do conhecimento que dedicaram suas vidas à ciência e tecnologia e foram referências em suas áreas de atuação. As físicas Elisa e Sonja estão contempladas na obra.

 

Cássia Ramos

Núcleo de Comunicação Social

CBPF

 

Mais informações:

Coletivo de Mulheres Elisa Frota-Pessôa: https://www.facebook.com/comef.ufrj/

Coletivo Katherine Johnson: https://www.facebook.com/coletivokatherinejohnson/

Coletivo de Mulheres Sonja Ashauer: https://www.facebook.com/coletivosonjaashauer/

Coletivo de Mulheres Claudia Elisabeth Munte: https://www.facebook.com/MulheresdoIFSC/

Livro ‘Pioneiras da ciência no Brasil’ (gratuito):

http://www.cnpq.br/documents/10157/6c9d74dc-0ac8-4937-818d-e10d8828f261

Página CNPq ‘Pioneiras da ciência no Brasil’: http://memoria.cnpq.br/pioneiras-da-ciencia1

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