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Pesquisador do CBPF resenha biografia do 1º astronauta na Lua

  • Publicado: Sexta, 07 de Junho de 2019, 16h09
  • Última atualização em Sexta, 07 de Junho de 2019, 16h14
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A convite do Núcleo de Comunicação Social, o físico experimental Ivan dos Santos Oliveira, pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro (RJ), resenha biografia recente do engenheiro aeroespacial e astronauta norte-americano Neil Armstrong (1930-2012), o primeiro humano a pisar na Lua, em 1969.

 

Vida singular, ciência transformadora e drama humano

O programa espacial norte-americano ‒ que culminou com o pouso da Apollo 11 na Lua em 1969 e trouxe de volta em segurança seus três astronautas ‒ é, possivelmente, a maior empreitada científico-tecnológica da humanidade de todos os tempos. No próximo dia 20 julho, às 17h17’40’’ (horário de Brasília), esse feito ímpar completará 50 anos.

É impossível abordar completamente o imenso esforço de milhares de pessoas envolvidas nessa tarefa hercúlea: técnicos, engenheiros, cientistas, políticos, administradores etc., que acreditaram e trabalharam incansavelmente. O roteiro desse projeto teve todos os ingredientes de um drama humano.

Em um texto simples, o jornalista norte-americano Jay Barbree conta essa história fascinante, focando em seu principal protagonista: o astronauta Neil Armstrong, o primeiro humano a pisar em um solo fora da Terra. Ao ler o livro de Barbree, percebe-se o papel vivo e transformador da ciência sobre uma sociedade. Percebe-se também como o sucesso de um projeto daquela envergadura dependeu da dedicação, do compromisso, engajamento e ‒ por que não dizer ‒ do patriotismo daquelas pessoas. Muitos morreram ao longo do caminho, e muitas foram as pressões para interromper o projeto.

Barbree, que se tornou amigo de Armstrong por causa da cobertura jornalística que fez do programa espacial, acompanhou de perto todo o drama e não perde a oportunidade de alfinetar a comunidade científica, como se pode ler nessa passagem sobre o período de quarentena a que os astronautas foram obrigados a cumprir ao voltarem da Lua:

“Simplesmente não havia nenhuma evidência ou justificativa científica para colocar em quarentena a equipe, mas Neil, Chris Kraft, Deke Slayton e outros que participaram da Apollo se forçaram a concordar com o alvoroço da comunidade científica.

Esses fervorosos defensores da ciência eram os mesmos que haviam avisado que uma nave espacial pousada na Lua poderia ser devorada por centenas de metros de poeira e, se a NASA colocasse um ser humano na superfície lunar, com sucesso, a agência teria que fazer várias tentativas antes que os astronautas pudessem superar os perigos.

Os antepassados desses mesmos pessimistas avisaram a Colombo que ele navegaria pela borda da Terra, e agora seus descendentes estavam alertando que os astronautas da Apollo 11 trariam organismos alienígenas que contaminariam o nosso planeta. “Suas preocupações eram tão improváveis que apenas Hollywood era capaz de acreditar em tais absurdos, mas isso não impediu que algumas pessoas, não muito brilhantes, na mídia e no Capitólio, ouvissem.”

 

Frase, pegada e tragédia

Armstrong é descrito como um sujeito simples, introvertido e avesso às badalações da fama. Havia pilotado aviões de caça na guerra da Coreia, iniciada em 1950. Seus colegas o consideravam um exímio piloto, e ninguém duvidada de que ele era o mais apto a pousar o módulo lunar, chamado Eagle (águia, em inglês) em segurança na Lua, o que ele fez, após uma pane do computador de bordo, faltando apenas 30 segundos para acabar o combustível.

A águia pousou a 5 km de distância do local planejado. O outro astronauta no módulo era Edwin E. Aldrin Jr. ‒ conhecido como ‘Buzz’ Aldrin ‒, o segundo humano a caminhar na Lua. O terceiro astronauta, Michael Collins, permaneceu orbitando o satélite, no módulo de comando, o Colúmbia, ao qual o Eagle se acoplaria de volta para retornar à Terra.

Barbree conta muitas curiosidades no livro. Uma delas sobre a famosa frase que Armstrong disse ao pisar na Lua: “Este é um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. Neil não teria decidido o que dizer até estar nas escadas do módulo, instantes antes de pisar na Lua. Além disso, a frase falada teria sido: “Este é um pequeno passo para um homem [...]”, mas o ruído na transmissão fez com que a frase fosse entendida da primeira forma.

Outra curiosidade: a famosa pegada que vemos nas fotografias não teria sido a primeira de Armstrong ao descer o último degrau do Eagle. A primeira foi apagada pelo próprio astronauta, que, na excitação do momento, ficou se virando de um lado para outro e pisando em cima do local histórico!

O livro vai além da missão Apollo e faz uma revisão do programa espacial norte-americano, até o advento dos ônibus espaciais, com um capítulo dramático sobre a explosão da Challenger, em janeiro de 1986, matando seus sete tripulantes a bordo ‒ incluindo a professora Sharon Christa McAuliffe (1948-1986), selecionada entre milhares de candidatos para a missão. Ela iria dar uma aula ao vivo para seus alunos na Terra, enquanto em órbita. Uma tragédia norte-americana.

 

Vida singular

Armstrong fez parte da Comissão Rogers, criada pelo então presidente Ronald Reagan (1911-2004) para investigar a explosão da Challenger. Barbree foi designado pela NBC News para fazer uma reportagem investigativa sobre o acidente. Aqui, talvez, a parte mais surpreendente do livro.

Quem já leu sobre a explosão da Challenger sabe que a explicação do que ocorreu foi dada pelo físico Richard Feynman (1918-1988), Nobel de Física de 1965: um anel de vedação feito com uma borracha que perdia sua elasticidade em temperaturas muito baixas, como foi o caso no dia do lançamento, falhou, deixando escapar combustível.

Feynman fez até uma demonstração pública desse efeito em um tribunal. No entanto, Barbree omite completamente esse fato. Segundo o jornalista, seu amigo Sam Beddinggfield (1933-2012), piloto de provas da NASA, lhe telefonou e deu a ele o furo de reportagem, já com a explicação da falha do anel, como um palpite seu! Não há qualquer menção a Feynman no livro.

Por todos esses ingredientes ‒ e pela vida absolutamente singular de Armstrong ‒, vale a pena ler o livro.

 

Ivan S. Oliveira

Pesquisador titular

CBPF

 

SERVIÇO:

Livro: ‘Neil Armstrong: a biografia essencial do primeiro homem a pisar na Lua’

Autor: Jay Barbree

Editora: Tordesilhas (1ª edição)

Páginas: 320

Preço médio: R$ 29 (R$ 28 versão eletrônica)

 

 

 

 

 

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