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Pós-graduanda do CBPF discute a necessidade de comemorar o 08 de março

  • Publicado: Sexta, 08 de Março de 2019, 12h42
  • Última atualização em Sexta, 08 de Março de 2019, 17h25
  • Acessos: 819

A convite do Núcleo de Comunicação Social, Daniela Leite, pós-graduanda do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), faz um breve histórico do Dia Internacional das Mulheres, questiona sobre o porquê de celebrar a data e discute a disparidade de gênero na ciência.

 

Por que celebrar este dia?

Há quem questione a necessidade de se celebrar o Dia Internacional da Mulher.  O 08 de março marca uma série de conquistas de direitos sociais, econômicos, culturais e políticos das mulheres, sendo ainda um chamado para atuar no sentido de diminuir as disparidades de gênero em diversos setores.

Suas origens remontam a meados do século 19, com a repressão violenta pela polícia do movimento das funcionárias de uma fábrica têxtil em Nova York por melhores condições de trabalho para as mulheres. Mais tarde, por volta de 1908, cerca de 15 mil mulheres marcharam pelas ruas daquela cidade, exigindo melhores salários, direito ao voto e jornadas de trabalho mais curtas.

Dois anos depois, a data é instituída oficialmente, em uma conferência na Dinamarca, como homenagem a todas as lutas em prol dos direitos das mulheres, sendo oficialmente reconhecida pela Organização das Nações Unidas a partir de 1975.

 

Lista de problemas

E por que insistimos em celebrar esse dia?

Simplesmente, porque a lista de problemas a serem resolvidos é enorme e está ainda longe de chegar ao fim, contendo itens que vão desde o feminicídio, assédio, a violência contra a mulher (principalmente, física), o aborto até a diferença salarial ‒ estima-se que as mulheres recebem, em média, 30% a menos em relação aos homens, ocupando os mesmos cargos e exercendo as mesmas funções.

No Brasil, os dados são preocupantes, Vejamos alguns deles: i) segundo os ‘Relógios da Violência’, do Instituto Maria da Penha, a cada cerca de oito segundos, uma mulher sofre violência física no país; ii) dados de 2016 apontam que 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, sendo as maiores vítimas negras e jovens com idade entre 18 e 30 anos.

 

Disparidade de gênero

Por que discutir disparidade de gênero nas ciências?

Não há dúvidas de que a disparidade (gap) de gênero em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês) é menor hoje do que anos atrás. Mas a equidade ainda é um sonho distante. Pesquisadores da Universidade de Melbourne (Austrália) desenvolveram um algoritmo capaz de estimar quando esses gaps serão fechados. Os números são impressionantes: cerca de 75 anos para a matemática; 100 anos para a física; 150 em astrofísica; e 200 em ciência da computação.

Se fizermos uma retrospectiva histórica, perceberemos que a ciência foi construída majoritariamente como um ramo masculino da cultura, e que há muitas mulheres que não tiveram seus trabalhos devidamente reconhecidos, acabando prejudicadas pelo simples fato de serem mulheres. Exemplos: a física austríaca Lise Meitner (1878-1968), a química britânica Rosalind Franklin (1920-1958), a física austríaca Marietta Blau (1894-1970), a física sérvia Mileva Maric (1875-1948)... A lista é extensa.

 

Futuro da ciência

Vale citar que, ano passado, a canadense Donna Strickland ganhou o Nobel de Física, e a norte-americana Frances Arnold, o de Química. O único outro ano em que mais de uma mulher recebeu esse prêmio foi em 2009, quando a israelense Ada Yonath, bem como as norte-americanas Elizabeth Blackburn e Carol Greider, foram agraciadas com o Nobel nas categorias química (Ada) e medicina ou fisiologia.

É uma conquista que deve ser comemorada, mas também questionada: só 2,77% dos 331 prêmios Nobel nas áreas de ciência foram concedidos a mulheres. Será que, no caso da física, ao longo de 55 anos, nenhuma mulher mereceu ganhar esse prêmio?

Para que haja maior engajamento de meninas em STEM, é necessário haver mudanças de mentalidade e comportamento da sociedade, bem como desconstrução dos constantes estereótipos sobre as habilidades femininas nas mais diversas profissões.

Isso é imprescindível para o futuro da ciência.

 

Daniela Leite

Pós-graduanda

CBPF

 

Referências:

Relógios da violência: https://www.relogiosdaviolencia.com.br/

Atlas da violência: https://bit.ly/2M1A7NG

PLOS Biology: https://journals.plos.org/plosbiology/article?id=10.1371/journal.pbio.2004956

Science News: https://bit.ly/2Jkn4oi

Nature INDEX: https://go.nature.com/2u51O0l

 

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