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Pós-graduanda do CBPF é 1º lugar em competição sobre mobilidade urbana

  • Publicado: Terça, 03 de Julho de 2018, 10h36
  • Última atualização em Terça, 03 de Julho de 2018, 12h25
  • Acessos: 1313

Daniela Leite, pós-graduanda em física teórica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), levou, juntamente com sua equipe, o 1º lugar regional e foi finalista em uma competição sobre mobilidade.

O ‘Uber Hack’ (ou Hackathon da Uber) ‒ maratona dedicada a selecionar e premiar soluções inovadoras para a mobilidade urbana ‒ reuniu este mês, em São Paulo (SP), estudantes e profissionais em uma jornada de trabalhos intensos, com mais de 30 horas de duração. O projeto premiado de Daniela e colegas ‒ Laurence Alves, Pâmela Peixinho e Lucas Fonseca ‒ tinha como tema central o uso de bicicletas como meio de transporte urbano, dando recompensa aos usuários que optassem por essa forma de se locomover.

“Fiquei muito contente com o resultado da premiação da Daniela”, disse o tecnologista sênior do CBPF Marcelo Albuquerque, coordenador do Arranjo NIT-Rio, que reúne oito institutos de ciência e tecnologia (ICTs) do estado fluminense. “É uma quebra de paradigma para o CBPF. Uma pessoa com formação em física teórica dando uma solução para o mercado, resolvendo um problema prático. Isso é uma contribuição relevante da ciência para a inovação”.

“O programa que estimulamos nas ICTs do Arranjo NIT-Rio tem o objetivo de quebrar paradigmas do mundo acadêmico. Com um breve conhecimento da realidade do mercado, Daniela conseguiu levar suas ideias para o hackathon”, disse Mariana Bottino, coordenadora do Programa de Empreendedorismo do NIT-Rio em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

Daniela Leite (dir.) e Laurence Alves, no Uber Hack, em São Paulo

(Crédito: Uber)

 

Daniela tem sido assídua frequentadora do ‘Café com Elas’, bate-papo de mulheres e pesquisadoras empreendedoras promovido pelo NIT-Rio. “É preciso puxar as meninas para o empreendedorismo, para a tecnologia. Estamos progredindo, mas falta muito, ainda estamos longe da equidade de gênero nessa área”, disse.

A seguir, os melhores momentos da entrevista concedida por Daniela ‒ orientada por Tobias Micklitz, pesquisador adjunto do CBPF ‒ ao Núcleo de Comunicação Social do CBPF.

 

Você é física teórica, mas ganhou um prêmio por resolver um problema prático, do cotidiano, relacionado à mobilidade urbana. Como isso aconteceu?

Na minha graduação em física na Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará, sempre ouvia que físico que é bom vai fazer física teórica. Isso reflete um tipo de preconceito com a física experimental. No CBPF, incentivada por meu orientador, comecei a usar o Phyton [linguagem de programação] e, ao interagir com pessoas que já trabalham com isso, pensei: ‘Nos dias de hoje, saber usar machine learning [aprendizado de máquina] para resolver problemas é uma ferramenta muito poderosa’. Com isso, minha concepção sobre as aplicações da física a problemas práticos foi ganhando força. A participação na ‘Escola de Física Experimental do CBPF’ ajudou nesse sentido. Percebi que queria trabalhar em uma linha de pesquisa que me permitisse olhar para o mundo lá fora. E novos horizontes surgiram para mim. Passei a interagir mais com colegas que trabalham na parte experimental. Então, ao começar o mestrado, no 1º semestre do ano passado, com muitas expectativas, eu tinha um grande desafio comigo: encontrar uma linha que estivesse em convergência com os meus novos interesses.

 

Como você chegou ao hackathon?

Quase simultaneamente a um minicurso que fiz sobre Phyton no CBPF, no 2º semestre do ano passado, soube da ‘Oficina de Empreendedorismo do NIT-Rio’. Passei também a frequentar o ‘Café com Elas’ e, nesse novo ambiente, percebi as várias possibilidades de interação dos cientistas com o mercado. A Mariana Bottino [do NIT-Rio] nos apresentou o Canvas [ferramenta de modelo de negócios para quem está começando a empreender]. A partir daí, comecei a frequentar eventos de inovação e empreendedorismo. Foi aí que ouvi, pela primeira vez, a palavra ‘hackathon’. Interessei-me pelo assunto e fui pesquisar sobre como eram os hackathons que estavam acontecendo. Vi o da Uber e pensei: ‘Deve ser sensacional ficar por 30 horas resolvendo um problema de mobilidade urbana’, e me inscrevi. Minha equipe no Uber Hack estava bastante focada, mas, independentemente disso, estávamos ali para aprender uns com os outros. Nós nos conhecemos no dia do evento e, logo, estávamos bastante conectados. Depois de passadas tantas horas, em um tipo de hiperatividade ‒ a gente nem mesmo cochilou naquelas 30 horas ‒, nos últimos minutos, a gente corria contra o tempo para apresentar uma solução criativa para o problema proposto.

 

Qual era o projeto de vocês?

O hackathon aconteceu logo depois da greve dos caminhoneiros. O país inteiro se conscientizou de como a mobilidade tem um imenso impacto na rotina diária dos cidadãos. Todos perceberam que era um grande desafio. Nosso projeto era o Be Cool, aplicativo que estimula o uso da bicicleta, ao dar recompensas para o usuário quando ele escolhe essa forma de transporte. No desenvolvimento da ideia, tivemos que aplicar o método científico. Construímos hipóteses e as fomos filtrando. Destaco o papel dos mentores, que ajudaram muito, e da equipe da empresa que coordenou o evento, a Shawee. Eles vão problematizando as ideias e, por vezes, destruindo nossas expectativas. Mas isso nos estimulava a melhorar. Ao todo, concorreram 16 equipes, e todas entregaram produtos de ótima qualidade, alguma até decidiram seguir com a ideia. Muitos já vão com a equipe formada, com um desenvolvedor, designer etc. Eu estava toda tímida, bastante insegura no início. Fui logo avisando que era física teórica/computacional e aquele era meu primeiro hackathon, mas eu estava ali para contribuir da melhor forma possível.

 

Daniela (jaqueta azul) e a equipe do Be Cool no momento da premiação

(Crédito: Uber)

 

Você gostou da experiência?

Lá, me disseram que eu ia viciar. E acho que viciei. Foi uma experiência tão incrível que quero participar de novo, interagindo com pessoas de outras áreas, fora da zona de conforto da academia, com gente que tem que lidar com problemas empresariais, reais [nota do editor: no momento em que esta entrevista está sendo editada, Daniela acaba de participar de outro hackathon, e sua equipe ‒ da qual fez parte Josiê Pereira, aluna do mestrado profissional em física do CBPF, orientada pelo pesquisador titular Ivan S. Olviera ‒ conquistou o segundo lugar]. Ao conversar com essas pessoas, você aprende muito e começa a pensar em um mundo de possibilidades. Enturmamo-nos muito fácil lá no evento. Éramos dois desenvolvedores, uma designer e eu. Como pesquisadora, fiquei responsável por toda a estatística e machine learning de nosso projeto. Depois que terminei a rede neural, ou seja, o código, fiz a busca dos dados estatísticos para dar base técnica ao que estávamos ‘vendendo’. A quantidade de pessoas que andam de bicicleta na cidade de São Paulo, por exemplo. Era uma corrida contra o tempo. Pude ver que tudo o que aprendi de modelagem computacional e estatística apliquei ali, com uma linguagem diferente, mas a essência é a mesma.

 

 

Era uma corrida contra o tempo. Pude ver que tudo o que aprendi de modelagem computacional e estatística apliquei ali, com uma linguagem diferente, mas a essência é a mesma

 

O que você diria para jovens pesquisadores, graduandos ou pós-graduandos, que queiram participar desse tipo de evento?

Mergulhem, saiam de suas zonas de conforto, dessa bolha [da academia]. Comecem a olhar para o mundo lá fora. É preciso vivenciar para aprender. Participem. Tem que sentir na pele tudo isso. Antes de participar desse hackathon, eu nunca havia me imaginado fora do mundo acadêmico, mas, depois, janelas e portas foram se abrindo, e já me vejo numa interface, fazendo uma ponte entre a academia e o ambiente empreendedor. Se, na academia, resolvemos problemas que são importantes para as empresas, por que é tão difícil interagir? Temos vários exemplos de resultados positivos na interação academia-empresa. Petrobras [que mantém convênios em várias áreas com o CBPF] e IBM são apenas dois casos emblemáticos deles.

 

Antes de participar de tudo isso, eu nunca me imaginei fora do mundo acadêmico, mas, depois, janelas e portas foram se abrindo, e já me vejo numa interface, fazendo uma ponte entre a academia e o ambiente empreendedor

 

Você pretende continuar nessa área de empreendedorismo?

Nosso produto ficou tão legal que pretendemos seguir com a ideia. Foi apenas um final de semana, mas, para nós, valeu por meses de trabalho. Depois que vencemos a etapa São Paulo, pensamos: “E agora?” Bem, queremos começar uma startup [empresa de tecnologia].

 

Mais informações:

Uber Hack (YoutTube): https://youtu.be/6VgG3Whkihs

NIT-Rio: http://www.nitrio.org.br/

Uber Hack: https://www.uber.com/pt-BR/newsroom/uber-hack-o-hackathon-da-mobilidade/

NIT-Rio (Facebook): https://www.facebook.com/ArranjoNITRio/

 

 

 

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