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As físicas: tema de pós-graduandas do CBPF

Publicado: Segunda, 09 de Março de 2020, 11h04 | Última atualização em Segunda, 09 de Março de 2020, 11h18 | Acessos: 297

A convite do Núcleo de Comunicação Social, para comemorar o Dia Internacional da Mulher (08/03), três pós-graduandas do CBPF, Jade Barreto, Jenny Concha e Luciana Ebani, escrevem sobre as dificuldades das mulheres que optam pela física ‒ ambiente ainda preponderantemente masculino. As autoras citam a física canadense Donna Strickland, ganhadora do prêmio Nobel de Física de 2018.

 

Física, no feminino!

A física tem nome de mulher. Feminino, contundente, desafiante, que clama a todas aquelas que fazem parte de uma luta sem nome, nem tempo, contra os estigmas que se refletem e refratam, reproduzindo só a imagem de um monumento masculino como um ideal científico.

Essa luta, ignorada, está viva naquelas que, em insistência árdua, impõem a percepção peculiar de sua realidade na construção do conhecimento. Elas, as esquecidas, gloriosas, iniciantes, as que persistem dentro esfera estável da física, transgredindo estereótipos, construindo translações e rotações em mentes sem espaço.

Acima dos preconceitos atemporais, demonstrando que, assim como não existem limites para o universo, tão pouco há para uma mulher que teoriza e pratica a paixão pelo saber e impõem seu imortal grito de guerra frente à desigualdade e o esquecimento. 

Clamor de uma cientista chega até nós: “Uma mulher não pode ser definida como um útero; existem mulheres sem um. Não me impede de estudar física e ser uma cientista; entretanto, quantas mulheres foram anteriormente impedidas? Embora o mais relevante para todos os cientistas seja a ciência, se houver um útero, as coisas mudam. Muda no trato das pessoas, nas atitudes, na gentileza, nas palavras e nos trabalhos. Remova o ‘feminino’ do meu currículo, e serei como tantos outros candidatos, se eu fosse mais uma pessoa e não um útero. Não culpo as pessoas por verem assim; às vezes, me pego me vendo desse jeito. É isso que chamamos de machismo; pode ser sutil de se ver, mas existe.” 

“Um salve a todas as mulheres, com ou sem útero, que lutam diariamente para mudar o que a sociedade vê quando as enxerga. Que lutam pelos seus lugares, promovendo a sororidade; Um salve a todas as mulheres que lutam pelo combate ao assédio e a todos os tipos de violência de gênero.”

Viva, Donna Strickland!

Viva, Marie Curie! Viva, Maria Goeppert-Mayer!...

E vivam todas aquelas que se abrigam na física, pois esta tem nome de mulher.

 

Jade Barreto

Jenny Concha

Luciana Ebani

Pós-graduandas

CBPF

 

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