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Syed Raza, ganhador de dois prêmios no último SBPMat, fala à seção ‘Prata da Casa’

Publicado: Segunda, 18 de Novembro de 2019, 14h06 | Última atualização em Quinta, 21 de Novembro de 2019, 11h56 | Acessos: 1204

A seção Prata da Casa apresenta pós-graduandos do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), que se destacam ao longo de sua formação. Nesta terceira edição, entrevistamos o doutorando paquistanês Syed Adnan Raza, que ganhou recentemente, no Congresso Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), os prêmios ‘Bernhard Gross Award’ ‒ na categoria ‘Melhor trabalho oral’ do Simpósio sobre Magnetismo e Materiais Supercondutores ‒ e ‘ACS Best Oral of student oral all: American Chemical Society Prize’ na categoria ‘Melhor contribuição de estudante de todo o evento’.

No Brasil desde 2016, o doutorando ‒ que é orientado por Rubem Sommer, pesquisador titular do CBPF ‒ conversou com o Núcleo de Comunicação Social do CBPF sobre sua formação, a vinda para o Brasil, sua experiência na instituição e seus planos. Além do português ‒ língua que ele já dominou ‒, Syed fala inglês, urdu e saraiki.  

A seguir a íntegra de sua entrevista.

  

Trabalhando em equipamento de medidas magnéticas do Laboratório de Magnetismo

(Crédito: Deborah Miranda)

 

Onde você nasceu no Paquistão e como foram seus primeiros estudos?

Nasci no lado sul da província de Punjab, e lá não havia muitas instalações para a educação básica. Fiz meus estudos básicos em uma escola do governo, onde tive os primeiros contatos com as ciências e a matemática. Quando criança, eu era muito bom em matemática.

 

O que o levou a escolher a física?

Como meu pai é professor escolar, sempre fui motivado a estudar e fiquei viciado em ciências na 5ª série, quando brincávamos com fios, baterias, luzes – com os quais podíamos brincar depois da aula, para explorar a eletricidade. Se algo não funcionava, tínhamos que descobrir. Um dia, encontramos um rádio antigo, e eu e meus irmãos pegamos o ímã e brincamos com ele, encontrando outros pequenos ímãs da areia. A partir daí, meu objetivo foi o de enfrentar desafios e descobrir como fazer as coisas funcionarem. Quando estava na faculdade, era especialista em física experimental, fiz muitas experiências e passei muito tempo no laboratório.

 

Em equipamento para fabricar filmes finos no Laboratório de Superfícies e Nanoestruturas

(Crédito: Deborah Miranda)

 

 

Fale um pouquinho sobre sua graduação e o mestrado no Paquistão.

Eu me formei na universidade ‘número um’ do Paquistão, a Universidade Quaid-i-Azam, em Islamabad, onde eles aprimoraram minhas habilidades. Eu não era o melhor aluno da turma, mas minhas notas em física experimental eram tão boas como as dos melhores alunos. Em minha graduação, o que mais chamou minha atenção foi a física da matéria condensada. Por isso, quis explorar mais essa área. Fiz, então, meu mestrado em magnetismo na mesma universidade. Em minha dissertação, trabalhei as propriedades elétricas e magnéticas de nanopartículas.

 

Como você avalia a pesquisa em física no Paquistão?

O Paquistão é um país em desenvolvimento, e a física lá é muito boa ‒ inclusive, temos um prêmio Nobel de Física, o de 1989, dado a Abdus Salam [1926-1996]. O Paquistão também se destaca na área de energia atômica. Mas a pesquisa em física experimental da matéria condensada é limitada, pois não temos muitos recursos para técnicas experimentais avançadas.

 

Formatura com colegas, em 2011, na Universidade Quaid-i-Azam, em Islamabad

 

Por que você escolheu o Brasil? E como descobriu o CBPF?

Conheço o Brasil desde criança, por causa do futebol e da floresta amazônica. A razão de escolher o Brasil foi essa: eu já gostava do país, e aqui tem uma infraestrutura muito boa para a física experimental da matéria condensada, com muitos projetos de pesquisa em andamento. Um dos meus amigos paquistaneses me contou sobre o exame UniPósRio [exame unificado de pós-graduações do estado do Rio de Janeiro]. Após o exame, descobri que as técnicas no CBPF eram as mais apropriadas para meu projeto de pesquisa. Tive sorte em ingressar nesta instituição.

 

Você ganhou dois prêmios recentemente. Fale um pouco sobre eles e sobre o tema dos trabalhos que você apresentou.

Em setembro passado, houve uma conferência sobre ciência dos materiais [SBPMat] em Santa Catarina, da qual participei como palestrante. No evento, recebi o ‘Bernhard Gross Award’, dado pela melhor contribuição oral no Simpósio de Magnetismo e Materiais Supercondutores, e outro prêmio, de US$ 500 [cerca de R$ 2 mil], concedido pela Sociedade Norte-americana de Química, pela melhor contribuição oral de um aluno em todo o evento. O trabalho apresentado na conferência foi sobre a dinâmica de magnetização em filmes finos, nos quais estudamos aplicações em spintrônica.

 

 

Na nanolitografia de feixe de elétrons para fabricação de nanoestruturas no Labnano

(Crédito: Deborah Miranda)

 

Qual foi o maior obstáculo para sua adaptação no Brasil? De que você mais gosta no Rio de Janeiro?

Não havia muitos obstáculos à adaptação. Se houve algum, foi a língua. Depois que isso foi resolvido, fiquei bem. Do que eu realmente gosto no Rio são os cariocas, que sempre estão felizes, da Festa Junina e, claro, do Carnaval.

 

Quando você deve defender seu doutorado e quais seus planos para depois disso?

Este é o meu último ano de doutorado, que defenderei em março do ano que vem. No futuro, gostaria de trabalhar em pesquisa e desenvolvimento na indústria ou em um instituto de pesquisa.

 

Cassia Ramos

Núcleo de Comunicação Social

CBPF

 

Mais informações sobre o doutorando:

CV Lattes:  http://lattes.cnpq.br/3442742404936389

 

 

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