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Curiosidade foi essencial para física premiada

  • Publicado: Terça, 01 de Setembro de 2020, 12h28
  • Última atualização em Terça, 01 de Setembro de 2020, 12h33
  • Acessos: 537

Pegue boa dose de curiosidade em relação a fenômenos da natureza, incluindo aqueles corriqueiros do dia a dia. Acrescente pitadas de excelentes professores no ensino médio e séries de TV bacanas.

Essa receita levou Rita de Cássia dos Anjos a uma graduação em física biológica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho; a um mestrado em física teórica e doutorado em experimental, ambos pelo Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo. E também a dois estágios de pesquisa no exterior (Alemanha e EUA), bem como a um pós-doc no Centro para a Astrofísica de Harvard (EUA).

 

 

Rita de Cássia dos Anjos, da UFPR

(Crédito: Arquivo pessoal)

 

Essa trajetória acaba de ser coroada com o prêmio ‘Para Mulheres na Ciência’ (categoria ciências físicas), promovido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a Unesco no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências.

Rita de Cássia é professora da Universidade Federal do Paraná, setor Palotina. No momento, trabalha com astropartículas, área em que participa de duas colaborações internacionais: o Observatório Auger, na Argentina, voltado para o estudo de raios cósmicos, e a Rede de Telescópios Cherenkov (CTA), que investiga novas fontes de raios gama no universo.

Quando não está fazendo pesquisa ou dando aulas, Rita de Cássia está em pedalando sua bicicleta – seu hobby predileto. A seguir, a íntegra da entrevista.

 

Por que você optou pela carreira em física? Alguma influência de professores, livros, filmes, exposições?

Segui a carreira em física porque me deslumbrei com o que essa área da ciência pode explicar. Sempre fui bem curiosa em relação a muitos fenômenos e situações do dia a dia que a física explicava. Então, me apaixonei. Essa decisão também teve influência de programas de TV – por exemplo, ‘O professor’, da TV cultura – e de excelentes professores de física que me incentivaram.

 

Você fez mestrado em física teórica, mas, no doutorado, optou por tema experimental. Como se deu seu caminho até a área de raios cósmicos, no Observatório Auger, e raios gama, na colaboração Rede de Telescópios Cherenkov (CTA)?

Gosto muito da física teórica. Trabalhar com os experimentos do Auger e CTA também envolve muita teoria e muitos modelos, temas nos quais estou mais envolvida. Nunca quis abandonar a física teórica, mas tinha interesse na área de partículas.

No Instituto de Física de São Carlos, tive a oportunidade de participar de workshops de astropartículas promovidos pelo grupo de astrofísica do professor Vitor de Souza. Foi aí que tive o primeiro contato com a área. Depois, entrei no grupo para fazer o doutorado e, realmente, me encontrei na área.

O doutorado foi minha porta de entrada para a participação nessas colaborações. Ambas têm forte e rica comunidade de cientistas brasileiros. Minha interação com esses grupos, bem como com os demais pesquisadores de outros países, tem me permitido fazer pesquisa de excelência no interior do Paraná.

 

Com que você trabalha mais especificamente nessas áreas – hoje, de forma geral, denominadas astropartículas?

Sabemos que existem partículas que chegam à Terra a altíssimas energias e são detectadas por observatórios de raios cósmicos, como o Auger. As grandes perguntas que fazemos são: Quais são as origens dessas partículas? Como elas são aceleradas até altíssimas energias? Como se propagam e interagem pelo universo antes de atingirem a Terra?

Trabalho com modelos de propagação de partículas que buscam auxiliar na descrição do que medimos e na resposta a esses questionamentos.

 

Que pergunta você gostaria de ver respondida pela pesquisa em raios cósmicos nos próximos anos?

Gostaria de ver a descrição de diferentes fontes de raios cósmicos e entender como funcionam os modelos de aceleração dessas partículas.

 

Você fez pesquisas na Alemanha, Irlanda e nos EUA – neste último país, um pós-doutorado, no Centro para a Astrofísica de Harvard.  Quais foram suas impressões dessas experiências de trabalho?

Tive impressões muito boas e edificantes dessas instituições. Encontrei nelas comunidades científicas atuantes e em crescimento, além de ambientes com fomento e incentivo à pesquisa. No entanto, a diversidade de gênero no ambiente de trabalho ainda é pequena.

 

O hobby da especialista em astropartículas da UFPR é o ciclismo

(Crédito: Arquivo pessoal)

 

Mulheres ainda são minoria na ciência – principalmente, na área de exatas, onde a você atua. Que conselhos você daria para uma jovem que tenha vocação para matemática e física, por exemplo?

Siga em frente! Você terá um belo caminho a trilhar. Desafios irão aparecer. Busque sempre o caminho que te levará ao desenvolvimento pessoal e científico. Nunca desista.

 

Sua carreira acaba de ser reconhecida pelo prêmio ‘Para Mulheres na Ciência’, promovido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a Unesco no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências. Quais são agora seus planos profissionais e pessoais?

Meu plano principal é continuar minha pesquisa com seriedade e excelência, incentivando, aprendendo e colaborando com minhas alunas e meus alunos para que se dediquem à carreira científica. Paralelamente a isso, pretendo continuar conquistando fomentos para o desenvolvimento de meu grupo e das minhas atividades de pesquisa e extensão dentro e fora da universidade.

 

Além da pesquisa em física, você tem algum hobby ou atividade extracurricular?

Andar de bicicleta. Se existe algo mais libertador, ainda não descobri.

 

Mais informações:

CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5775617413825711

Auger (inglês): https://www.auger.org/

CTA (inglês): https://www.cta-observatory.org/

UFPR Palotina: http://www.palotina.ufpr.br/portal/engenhariaseexatas/

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