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Cynthia Medrano, física experimental e pós-doc do CBPF, fala à ‘Prata da Casa'

  • Publicado: Segunda, 29 de Março de 2021, 10h40
  • Última atualização em Segunda, 29 de Março de 2021, 10h40
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A seção Prata da Casa apresenta pós-graduandos do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), que se destacam ao longo de sua formação. Nesta quarta edição, entrevistamos a pós doutoranda peruana Cynthia Paola Contreras Medrano, que foi recentemente contemplada com um mini grant no Forum for Early Career Scientists (FECS) para o encontro de março da American Physical Society (APS).

A pós-doc conversou com o Núcleo de Comunicação Social do CBPF sobre sua formação, a vinda para o Brasil, suas experiências e seus planos.

A seguir a íntegra de sua entrevista.

 

Cynthia, pós-doc do CBPF, personagem da 4ª Prata da Casa
(Créditos: Arquivo Pessoal)

 

Onde você nasceu e como foram seus primeiros estudos?

Eu nasci em Lima, Peru e nos primeiros anos de escola tive muitos problemas de concentração o que levou a baixas qualificações na escola. Passava as férias de verão principalmente na casa dos meus avós, em Pisco, uma cidade a 200 Km ao sul de Lima, sem meus pais. Lá tinha dois tios professores de matemática e um ano minha mãe pediu para eles me ajudarem a nivelar nos estudos, sendo que eles tinham chácaras nas quais trabalhavam, eu tinha que acordar às 5h da manhã para estudar junto com meu tio Luis até as 7h, eu continuava trabalhando sozinha até o horário do almoço. No início foi muito difícil, ficava sonolenta e aborrecida, mas com muita paciência por parte do meu tio eu fui progredindo e tomando gosto, logo foi um prazer e quanto mais aprendia ficava mais contente. Quando voltei para a escola não fui a melhor das alunas, mas fiquei entre as melhores, sendo muito destacada tanto em matemática como em ciências.

 

Quais caminhos a levaram para a física?

Na casa dos meus avós, meu avô tinha uma habitação que chamava de quarto de brincadeiras - ele não teve estudo superior, mas aquele quarto era um laboratório. Nele fazia xampu, sabonetes e pomadas com diferentes plantas ou sementes que trazia das suas chácaras. Ele tinha diferentes equipamentos, e eu gostava muito de ficar lá. Essa experiência eu a guardo com muito carinho, despertou a minha curiosidade e o gosto pelos laboratórios.

Na hora de escolher a especialidade profissional para a universidade, inicialmente queria estudar telecomunicações, mas para minha sorte ingressei na faculdade de ciências. No primeiro ano da faculdade fui apresentada ao professor Holger Valqui no laboratório de física recreativa da Universidade Nacional de Engenharia no Perú. Nesse primeiro contato ele mostrou diversos experimentos de forma lúdica, desafiando o raciocínio. Ele estimulou e motivou-me muito a continuar na física, assim como outros professores e companheiros.

 

O que fez você escolher o Brasil como país para dar continuidade à sua formação?

Na época que terminei a faculdade, a pós-graduação em física tinha sido recém-criada no Perú, era paga e eu não tinha recursos para isso. Eu fiz um estágio profissionalizante na Comisión Nacional de Investigación y Desarrollo Aeroespacial do Peru (CONIDA) e após um ano lá, tive a oportunidade de apresentar um trabalho na 4th School on Cosmic Rays and Astrohysics, sediada na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo. Fiquei impressionada com o nível das apresentações, a grande comunidade científica que tem o Brasil e com a hospitalidade dos brasileiros. Gostei de ver muitas meninas no evento. Não tive companheiras de aula nos últimos anos da graduação, essa mudança foi muito legal. Fiquei com muita vontade de participar desta grande comunidade científica. Voltando ao Perú, pouco tempo depois fiz o UNIPOSRIO [exame unificado de pós-graduações do estado do Rio de Janeiro] e ingressei na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde fiz mestrado e doutorado.

 

Como chegou ao CBPF e qual foi a motivação dessa escolha?

Eu sou física experimental na área de magnetismo. Durante o mestrado desenvolvi meu trabalho em colaboração com outras instituições do Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas não tive a oportunidade de manipular os equipamentos de medida, fora o equipamento de raios-X na UFF. Já para o doutorado, utilizei diversos laboratórios do CBPF como colaboradora externa de Elisa Baggio-Saitovitch (pesquisadora emérita do instituto). O CBPF é um dos maiores centros de pesquisa do Brasil e conta com diversos laboratórios que me permitiram desenvolver minha pesquisa atual, porém o mais importante de um laboratório são as pessoas que possibilitam a aprendizagem. No CBPF, aprendi a utilizar os equipamentos e fazer minhas próprias medidas. Sendo experimental, ter acesso aos equipamentos é muito importante. O trabalho de doutorado finalizou com algumas publicações no ‘Physical Review B’ (PRB). Com vontade de continuar fazendo pesquisa, postulei em diversas ocasiões para conseguir uma bolsa de pós-doutorado, mas não consegui no primeiro ano. Fiquei muito abalada, mas sempre contei com o apoio da Elisa. Ela ajudou-me com seus recursos para que eu continuasse a trabalhar na pesquisa nesse primeiro ano. Mais experiente, no segundo ano consegui uma bolsa do CNPq e uma bolsa PDJ-nota 10 com a qual fiquei até agora no CBPF.



Na EAFExp 2019, com a orientadora Saitovich e colegas pesquisadores
(Créditos: Arquivo Pessoal)

 

Você percebe diferenças entre como a importância da ciência é sentida no Peru e no Brasil?

Com certeza tem diferenças, por exemplo quando eu estava no Peru, não tinha programa de doutorado em física em lugar nenhum do Peru, muito menos a oportunidade de ter uma bolsa. Por isso eu tive de sair do Peru para poder continuar com meus estudos de pós-graduação. Grande foi a minha surpresa quando percebi que aqui tinham não somente auxílio para mim, como tinham até bolsas de iniciação científica para alunos de graduação. Acho isso uma diferença fundamental para o desenvolvimento de um país, já que ajuda a formação de profissionais em todas as áreas das ciências e tecnologias em geral.

 

Como é conciliar a vida de mãe e de física?

Ser mãe e física não é fácil, precisa de determinação e valorizar muito o tempo para fazer as coisas de maneira eficiente. O trabalho como física muitas vezes não tem horário fixo, principalmente no laboratório é imprevisível, às vezes é preciso trabalhar final de semana ou até muito tarde, dias festivos, etc. Por outro lado, para participar em encontros e conferências é necessário viajar por alguns dias. Eu tenho que reconhecer que para poder fazer isso é preciso de boas parcerias e apoio. A parceria com Carlos, meu esposo, tem sido fundamental. Nós dois temos dividido muito as tarefas da casa e ambos temos muito respeito pelo nosso trabalho. Outras parcerias importantes têm sido a da minha irmã Giovana, meu cunhado Enrique e da escola Escalada CEIF, eles cuidaram muito bem da minha filha, e sempre me apoiaram muito, o que me permitiu superar os imprevistos e continuar a trabalhar. No lado da academia também tive a sorte de contar com ótimas parcerias e amigos. Nesse sentido, contar com o apoio de Elisa tem sido fundamental para eu me manter trabalhando, acho que o fato dela compreender o desafio que significa para nós mulheres, ser mães, e tentar desenvolver uma carreira como pesquisadoras, faz uma importante diferença. Eu sou muito grata pelos conselhos e apoio que recebo da parte dela.


Com a filha Rosa Sofia visitando o Grafite da Ciência, no CBPF
(Créditos: Arquivo Pessoal)

 

Você ganhou recentemente um mini grant (apoio econômico) para participar de uma das principais convenções de física do mundo, promovida pela American Physics Society. Fale um pouco sobre o evento e sobre o tema apresentado.

O evento organizado pela APS aconteceu de 15 a 19 de março. Nele se reuniram físicos de todo o mundo, mas principalmente da América do Norte. O grant que recebi foi concedido a doutores do grupo Forum for Early Carreer Scientist (FECS). A participação no evento é importante porque permite apreciar os trabalhos de fronteira nas diferentes áreas da física, conhecer as novas técnicas e equipamentos que foram desenvolvidos recentemente. Pode-se fazer perguntas, discutir sobre determinado tema e criar parcerias. Ao final, tudo isso contribui para o crescimento científico pessoal e da comunidade. Neste evento apresentei em formato de pôster o trabalho publicado na PRB 98, 054435 (2018). Neste trabalho estudamos um tipo pouco conhecido de oxiborato, a hulsita Ni5.15Sn0.85(O2BO3)2. A baixa temperatura, este composto isolante magnético com spin S=1, entra no estado vidro de spin (onde os spins congelam de maneira desordenada) a 180 K. É interessante que a outra parte não tenha ordem magnética até as temperaturas mais baixas nos nossos experimentos (3 K), os spins continuam a flutuar com características similares a materiais no estado líquido de spin (LS). O estado LS se produz devido à frustração causada pela competição de interações que não podem ser satisfeitas simultaneamente, embora os momentos magnéticos tenham fortes interações eles não conseguem se ordenar. Na atualidade são estudados alguns poucos sistemas magnéticos, candidatos a apresentar o estado LS, neles tem se observado fenômenos coletivos e exóticos que tem despertado um grande interesse na comunidade científica.

 

Quais seus planos para sua carreira científica?

Planejo estender minha pesquisa e as colaborações de trabalho. O próximo passo seria ingressar numa instituição numa posição permanente, que me permita continuar com a pesquisa e desenvolver os meus projetos a curto e longo prazo. Acredito que a pesquisa em magnetismo e novos materiais pode contribuir nos novos avanços tecnológicos para o bem de toda a comunidade.

 

Mais informações sobre a pós-doc:

CV Lattes:  http://lattes.cnpq.br/8314295388331198

 
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