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Em seus 10 anos de vida, Renafae discute o futuro da física de altas energias

  • Publicado: Quinta, 12 de Julho de 2018, 13h43
  • Última atualização em Quinta, 26 de Julho de 2018, 12h45
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A Rede Nacional de Física de Altas Energias (Renafae) fará encontro nos próximos dias 30 (segunda) e 31 (terça) de julho, no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, para comemorar seus 10 anos de existência.

O evento fará um balanço desta primeira década de atividades na coordenação dos grupos de pesquisadores brasileiros que atuam em física de altas energias. Será também a oportunidade para planejar o futuro dessa área, que engloba de partículas elementares a astrofísica, passando por estudos da antimatéria e radiação cósmica.

Um dos destaques do encontro serão as discussões sobre políticas para aumentar a inserção do Brasil em grandes projetos internacionais de ciência.

“Nestes dez anos de existência da Renafae, tivemos um crescimento substancial, praticamente dobrando tanto o número de participantes envolvidos em experimentos de física de altas energias quanto o de instituições de ensino e pesquisa atuantes na rede”, disse o físico experimental Ignácio Bediaga, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), e presidente do Conselho Técnico-Científico da Renafae.

“Apesar das várias dificuldades que vivenciamos nesta década de vida, a unidade dos vários grupos participantes foi mantida em torno da Renafae, o que, sem dúvida, foi fator determinante para sua manutenção e seu fortalecimento ao longo deste período. Para os próximos anos, esperamos operar mudanças importantes no funcionamento da rede, de forma a adequá-la à sua importância e às suas novas dimensões no contexto da física brasileira”, completou Bediaga.

"Nossa expectativa é que esse encontro ajude a fortalecer ainda mais a Renafae e seu papel agregador dos vários grupos de pesquisa de física de altas energias atuantes no Brasil. Realizando um balanço dos últimos 10 anos e estimulando uma discussão aberta e plural sobre o futuro da rede, esperamos fortalecer o engajamento dos pesquisadores na condução dos rumos da Renafae", comentou um dos organizadores do evento, Marcelo Munhoz, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Conselho Técnico-Científico da Renafae.

Além de duas plenárias, haverá a apresentação de aproximadamente 50 trabalhos. Espera-se um público em torno de 150 participantes.

 

Rumos e internacionalização

Ao final do encontro, os coordenadores de quatro grandes temas ligados à física de altas energias ‒ análise de dados (Jun Takahashi, da Universidade Estadual de Campinas); instrumentação (José Seixas, Coppe - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa em Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro), computação (Rogério Iope, da Universidade do Estado de São Paulo) e divulgação científica (Márcia Begalli, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) ‒ apresentarão, em sessão plenária, os principais resultados de cada área expostos nas sessões paralelas. Logo em seguida, ocorrerá discussão sobre os rumos da Renafae.

Devem estar no encontro autoridades governamentais e políticos que têm apoiado as questões de C&T no país. Esses convidados participarão de um debate ao final do primeiro dia, sobre a internacionalização da ciência nacional a partir da participação de pesquisadores brasileiros em grandes colaborações globais.

A programação do evento está disponível em: https://indico.cern.ch/event/719214/

 

Logotipo criado para o 10º aniversário da Renafae

(Crédito: Renafae)

 

 

Riqueza e bem-estar

Hoje, o Brasil conta com pouco mais de 120 pesquisadores, de 15 instituições, envolvidos diretamente em grandes colaborações internacionais nesse campo – se incluídos técnicos e estudantes, esse número chega à casa de 200 colaboradores. Além disso, há, no país, cerca de uma centena de físicos teóricos que se dedicam à área de altas energias.

O Brasil participa de várias dessas colaborações internacionais em laboratórios na Europa, nos EUA, na Argentina e, mais recentemente, no Chile. Pesquisadores brasileiros estão nos quatro grandes detectores (Atlas, CMS, Alice e LHCb) do acelerador de partículas LHC (Grande Colisor de Hádrons), bem como no Alpha ‒ este último sobre antimatéria ‒, todos experimentos no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), com sede em Genebra (Suíça).

O país está também presente no Laboratório Auger, sobre radiação cósmica (Argentina); no DUNE, que estuda neutrinos (EUA); e no CTA, que busca fontes de raios gama no cosmo (Ilhas Canárias e, provavelmente, Chile).

Os trabalhos nesses laboratórios se dão de forma colaborativa: diversas instituições de pesquisa, de diferentes partes do planeta, se organizam para trabalharem juntas, com objetivos científicos bem definidos. São grandes projetos que buscam expandir a fronteira do conhecimento na ciência fundamental.

Boa parte dos avanços gerados por essas colaborações internacionais – os quais geralmente se transformam em riqueza para as nações e bem-estar para a população – é feita em parceria com empresas privadas de alta tecnologia. Não raramente, inovações e desenvolvimentos obtidos por grandes colaborações científicas internacionais acabam empregados em equipamentos e serviços do cotidiano. Por exemplo, celulares, computadores, internet, redes sem fio, carros, aviões, refrigeradores etc., gerando produtos mais modernos, de menor consumo energético e melhor qualidade.

O Brasil tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento de novas tecnologias para esses projetos científicos internacionais. Quatro exemplos emblemáticos: i) o chip Sampa, para o sistema de detecção do Alice (CERN); ii) a placa para teste da nova eletrônica empregada no detector LHCb (CERN); iii) o sistema de filtragem online de elétrons do Atlas (CERN); iv) o Arapuca, armadilha que aprisiona luz, usada no DUNE (Universidade Stanford e Fermilab, ambos nos EUA).

 

Chip Sampa, desenvolvido na USP e usado no detector Alice, do CERN

(Crédito: Marcos Santos/USP)

 

Membros e conselho

São membros institucionais da Renafae: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; Universidade Estadual de Feira de Santana; Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Universidade Federal do ABC; Universidade Federal da Bahia; Universidade Federal Fluminense; Universidade Federal de Goiás; Universidade Federal de Juiz de Fora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Universidade Federal de São Carlos; Universidade Federal de São João del-Rei; Universidade Federal do Triângulo Mineiro; Universidade Estadual de São Paulo; Universidade Estadual de Campinas; Universidade Federal de Alfenas; Instituto de Física da Universidade de São Paulo; Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo.

 

Placa desenvolvida pelo CBPF para testar a nova eletrônica do detector LHCb, do CERN

(Crédito: CBPF)

 

Fazem parte do Conselho Técnico-Científico da Renafae: Eduardo de Moraes Gregores (UFABC), Gilvan Augusto Alves (CBPF), João Torres de Mello Neto (UFRJ), José Manoel de Seixas (Coppe/UFRJ), Marcelo Gameiro Munhoz (USP), Ricardo Avelino Gomes (UFG), Ronald Cintra Shellard (CBPF) e Sérgio Ferraz Novaes (IFT/Unesp).

 

Mais informações:

Renafae: http://mesonpi.cat.cbpf.br/renafae/?pgn=inicio

Renafae no Facebook: https://www.facebook.com/Renafae-1040734626012590/

Fôlder Renafae: http://mesonpi.cat.cbpf.br/renafae/ 

Fôlder ‘Brasil no CERN’: http://portal.cbpf.br/attachments/destaques/CARTAZ - FOLDER CERN.pdf

Finep: http://www.finep.gov.br/

 

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